Programa Completo: 8 Módulos sobre o Sistema Bancário Brasileiro
O conteúdo programático completo da Aruanda, organizado módulo a módulo. Cada seção detalha o que é abordado, as fontes utilizadas e o que o participante ou o facilitador será capaz de fazer ao final. O programa serve de base para as três modalidades de serviço.
8 módulos · 32 aulas · 8 semanas · 5 sessões ao vivo (Formação de Facilitadores) · Certificado de conclusão
8
módulos de conteúdo
32
aulas no total
40h
de carga horária
8
semanas de duração
Estrutura do programa
Bloco 1 — Fundamentos (Módulos 01–04)
01História do sistema bancário no Brasil
O sistema bancário brasileiro tem origem na chegada da família real portuguesa em 1808, quando o Banco do Brasil foi fundado como instrumento de suporte às finanças da Coroa. Ao longo do século XIX e início do XX, o setor passou por sucessivas crises, fusões e intervenções estatais que moldaram a estrutura que existe hoje.
O módulo examina os marcos regulatórios mais relevantes: a criação do Banco Central em 1964, a Reforma Bancária de 1988 (com a nova Constituição), o Plano Real em 1994 e seus efeitos sobre o número de bancos em operação e sobre as taxas de concentração do setor. Os dados sobre concentração bancária têm como fonte os relatórios do Banco Central do Brasil.
Temas abordados: Banco do Brasil (1808), Banco Central (1964), hiperinflação e seus efeitos sobre o sistema financeiro, PROER e reestruturação pós-Plano Real, concentração bancária segundo dados do Banco Central do Brasil.
02O papel do Banco Central do Brasil
O Banco Central do Brasil (BCB) acumula funções que em outros países são distribuídas entre mais de uma instituição: é ao mesmo tempo autoridade monetária, regulador prudencial do sistema financeiro, operador da câmara de compensação e supervisor do sistema de pagamentos. Este módulo examina cada uma dessas funções de forma separada, com exemplos de como cada uma afeta o cotidiano das pessoas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) e a taxa Selic são apresentados de forma funcional: o que o Copom decide, com que frequência, com base em quais dados e com quais efeitos esperados sobre crédito e inflação. As publicações do Banco Central — Relatório de Inflação, Nota de Política Monetária, Focus — são identificadas e explicadas como fontes primárias de dados.
Glossário incluído: autoridade monetária, política monetária expansionista e contracionista, taxa Selic, reunião do Copom, reservas compulsórias, regulação prudencial, supervisão bancária.
03Tipos de instituições financeiras no Brasil
Nem toda entidade que movimenta dinheiro é um banco. Este módulo mapeia as categorias de instituições financeiras reconhecidas pelo Banco Central: bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, cooperativas de crédito, sociedades de crédito direto (SCDs), fintechs de pagamento e instituições de pagamento. Cada categoria tem funções, restrições e formas de regulação distintas.
O módulo discute a evolução do setor com a entrada de fintechs licenciadas pelo Banco Central após 2018 e examina o que diferencia uma fintech de um banco tradicional em termos de licenciamento, capital mínimo exigido e produtos que pode oferecer. Os dados de licenciamento são extraídos do portal do Banco Central (bcb.gov.br).
Temas abordados: taxonomia do sistema financeiro nacional (SFN), diferença entre banco comercial e banco múltiplo, cooperativas de crédito e o papel da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), regulação de fintechs e instituições de pagamento pelo BCB.
04Crédito: formação, custo e spread bancário
O Brasil apresenta historicamente um dos maiores spreads bancários do mundo — a diferença entre o custo de captação do banco e a taxa cobrada do tomador de crédito. Este módulo examina a composição desse spread usando as notas metodológicas do Banco Central, que detalham as parcelas atribuídas ao custo do risco de inadimplência, à margem líquida do banco, às despesas administrativas e à cunha fiscal.
O conteúdo inclui uma leitura guiada das séries históricas de taxas de juros disponíveis no portal do Banco Central (series.bcb.gov.br) e explica como interpretar a Nota de Crédito mensal. O módulo não oferece orientação sobre qual modalidade de crédito o participante deve escolher — essa decisão é individual e depende de circunstâncias específicas.
Glossário incluído: spread bancário, Custo Efetivo Total (CET), taxa nominal e taxa efetiva, Caderneta de Poupança como referência de captação, inadimplência e sua mensuração nas séries do BCB.
Bloco 2 — Infraestrutura e Dados (Módulos 05–08)
05Sistema de pagamentos brasileiro
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de regras, procedimentos e sistemas que permitem a transferência de fundos entre agentes econômicos. Operado pelo Banco Central em parceria com o setor privado, o SPB passou por uma reformulação estrutural em 2002, com a adoção da liquidação em tempo real para grandes valores — uma mudança que eliminou o risco sistêmico de liquidação que existia no modelo anterior.
O módulo acompanha a trajetória do sistema desde o TED (Transferência Eletrônica Disponível) até o Pix, lançado em novembro de 2020. Explica como o Pix é liquidado em tempo real pela infraestrutura do Banco Central, como a chave Pix funciona do ponto de vista operacional e como os dados de uso estão disponíveis em dados.gov.br. Os números de transações citados são extraídos dos relatórios públicos do Banco Central.
Temas abordados: SPB e liquidação em tempo real, Sistema de Transferência de Reservas (STR), Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), TED e DOC (e extinção do DOC), Pix e chave de endereçamento, dados de uso do Pix disponíveis no portal do Banco Central.
06Dados públicos sobre o setor financeiro
O Banco Central, a FEBRABAN, o IBGE e o dados.gov.br publicam regularmente uma quantidade considerável de dados sobre o setor financeiro brasileiro. Este módulo é uma aula prática de navegação nesses portais: como localizar séries históricas, entender os metadados, distinguir dados preliminares de dados revisados e citar as fontes corretamente em material educativo.
Exemplos práticos incluem a localização da série de inadimplência de pessoa física, os dados de operações de crédito por modalidade (series.bcb.gov.br), o Relatório Anual de Pesquisa FEBRABAN de Tecnologia Bancária e os microdados da PNAD Contínua do IBGE sobre inclusão financeira. O módulo inclui um exercício de leitura e interpretação de uma tabela de dados do Banco Central.
Entregáveis: guia de navegação nos portais do Banco Central e do dados.gov.br, lista de séries públicas recomendadas para educadores, modelo de citação de dados públicos em material didático.
07Direitos do consumidor de serviços financeiros
O consumidor de serviços financeiros no Brasil conta com uma camada de proteção que combina o Código de Defesa do Consumidor (CDC, Lei 8.078/1990), a regulação específica do Banco Central para serviços bancários e os canais de reclamação oficiais. Este módulo mapeia essa camada sem dar orientação jurídica individual — o objetivo é que o facilitador possa explicar o arcabouço e indicar onde buscar ajuda.
O conteúdo aborda o funcionamento do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) obrigatório, do Banco Central como receptor de reclamações (registrounidades.bcb.gov.br), do Procon estadual e municipal e do consumidor.gov.br como plataforma de resolução de conflitos. Dados sobre o ranking de reclamações ao Banco Central são apresentados como exemplo de dado público que um facilitador pode usar em aula.
Temas abordados: CDC aplicado a serviços bancários, resolução de reclamações no Banco Central, tarifa bancária e o que é vedado cobrar segundo a regulação do BCB, portabilidade de crédito, direito de arrependimento (CDC, Art. 49) em contratações à distância.
08Prática pedagógica em educação financeira
O módulo final é sobre como transmitir o conteúdo dos sete módulos anteriores. Parte de um problema real: educadores bem-informados sobre o sistema bancário frequentemente não sabem como conduzir uma sessão quando aparecem perguntas sobre situações financeiras individuais — dívidas, investimentos, escolha de banco — que estão fora do escopo de uma aula educativa. O módulo apresenta técnicas de delimitação do escopo e de encaminhamento de perguntas.
Também aborda planejamento de sessão (objetivo, estrutura, materiais, tempo), uso de dados públicos em apresentações sem criar impressão de aconselhamento, e como responder à pergunta "mas o que você acha que eu devo fazer?" de forma educacionalmente honesta. O módulo inclui uma entrega prática com feedback, que é o requisito para emissão do certificado na modalidade Formação de Facilitadores.
Entregáveis: modelo de plano de sessão para educador comunitário, lista de frases para delimitar o escopo educacional, roteiro de encaminhamento de dúvidas individuais a consumidor.gov.br, Procon e Banco Central.
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